Jornalísticos

Blog da turma de jornalismo do segundo semestre de 2007 da Universidade Federal Fluminense.

Que comunicação é essa?

Meu povo, gostaria de alertá-los para uma questão importantíssima, para nós, jornalistas. Esse texto é de uma amiga minha, estudante da UESC-BA, e é um parecer sobre a iniciativa do governo baiano pró-conferência nacional em 2008 (com uma conferência estadual) e o apoio que o governo tem dado neste ano, nas vésperas da realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (I Confecom).

Em itálico, eu gostaria de dar destaque a um trecho do texto que foge um pouco a localidade da questão conferencial baiana e atinge diretamente a todos nós, comunicadores. Parabéns pelo texto, Karen! =]



Conferências 2008 x 2009
Karen Oliveira, aos companheiros do interior 18.11.2009

"A Bahia realizou neste último final de semana (14 e 15) a etapa estadual da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom)."
Alguém ai percebeu que é a PRIMEIRA? "... 1ª Conferência Nacional de Comunicação)".

No processo de construção da etapa Estadual da I Confecom, diferente da I Conferencia Baiana de Comunicação realizada em 2008, nem tudo foram flores, borboletas e céu azul. Aliás, nada foi.
Desde o princípio enfrentamos o boicote do setor empresarial as reuniões da C.O., o que engessava o processo e impedia decisões. A má vontade do governo que a todo tempo afirmava que não teria dinheiro suficiente para organizar a conferência e muito menos para ajudar a mobilização do interior. E por fim a falta de compromisso do Ministro das Comunicações em publicar os decretos e documentos necessários para legitimar as ações locais e estaduais para construção da CONFECOM.

E porque toda essa má vontade? Resumiria dizendo que a Comunicação, chamada por alguns de quarto poder, "na história deste país" é o PRIMEIRO Poder.
Um poder concentrado na mão de poucos, servindo a interesse de poucos, e que seus profissionais são vistos pelos espectadores como heróis e pelos patrões como escravos, tendo que se submeter a cumprir várias tarefas e receber por uma só, além de vender sua potencialidade no discurso pra linhas editoriais dominantes (e os empresários ainda querem falar de liberdade de expressão).
Um poder opressor, que criminaliza o pobre e diz que ele se encontra naquela posição porque quer, que diz que todo vagabundo é maconheiro, ou "melhor", que todo maconheiro é vagabundo, que diz ao trabalhador pra comprar uma bicicleta ou voltar andando pra casa pra economizar com transporte, e ao pequeno burguês pra comprar seu carro porque o transporte público vai continuar aumentando e oferencendo um serviço sem qualidade, e por ai vai.

Em 2008 a Bahia sai na frente, com apoio financeiro, mobilizações territoriais, tirada de delegados, fazendo caderno de resoluções e tudo mais, mostrando que é um Estado preocupado com a democratização da comunicação. Que o diga as campanhas publicitárias do governo e as diversas (sim, estou sendo irônica) empresas responsáveis por ela.

Em 2009 a Bahia sai, a muito custo (diga-se de passagem), com ligações as vésperas para confirmar transporte pro interior, com nenhuma certeza de onde nos alojaríamos e principalmente, com nenhuma das resoluções de 2008 fora do papel.

Mais que clara a diferença entre Campanha e real interesse do governo de "Todos os nós".

Tirados os delegados, Brasília se aproximando e nós comunicólogos já descobrimos onde nos inserimos neste processo? Onde se encontra a parte SOCIAL da nossa comunicação?

Não fique esperando pela conferência para fazer a sua parte, ou não venha me falar de ética e DIPLOMAS ! "

Muito além do Jornal Nacional


Temos visto nessa última semana ataques diretos e acusações sérias entre Globo e Record, em pleno horário nobre através de seus respectivos principais jornais. O fato é que nenhum dos dois lados consegue responder as denúncias com argumentos bem fundamentados.
Estranho o momento em que a Globo traz à tona uma denúncia antiga do Ministério Público contra Edir Macedo. Não é novidade pra qualquer pessoa minimamente informada, todas as armações do bispo, e o destino obscuro dos dízimos arrecadados pelos pastores em cada templo evangélico. Tanto não é novidade, que no Jornal Nacional desta última Quarta (12/08), a Globo utilizou as mesmas imagens de dez anos atrás, quando publicou a mesma denúncia, que na época teve também grande repercussão, mas não conseguiu derrubar o império da IURD. 
A resposta da Record foi imediata. No dia seguinte, no Jornal da Record, a resposta veio no mesmo tom de acusações à emissora da família Marinho. Acontece que as acusações a Edir Macedo foram ignoradas. Foram mostrados alguns fiéis, dando depoimentos que nada acrescentavam ao caso. Interessante perceber que foram usadas na resposta de Record imagens do documentário “Muito além do Cidadão Kane”, que conta toda a história da TV Globo, desde sua criação, com o aval da ditadura militar, o acordo com a Time Life, e outros esquemas pouco divulgados pela grande mídia. (Documentário - Parte 1 - Parte 2 - Parte 3 - Parte 4 

Mas a Rede Globo não é iniciante em usar seu poder de manipulação para tentar derrubar concorrentes, sejam eles políticos ou rivais da audiência. São famosos os casos da eleição pra governador do RJ em 82 (o escândalo da PROCONSULT), onde o alvo era Leonel Brizola, e o caso das eleições presidenciais de 89, naquela edição meio suspeita do debate entre Lula e Collor, quando o nosso atual presidente foi totalmente desfavorecido, Collor saiu vencedor, e deu no que deu.

Resposta da Record
Outra tentativa um pouco mais disfarçada foi a campanha contra a Tele-Sena e o Baú da Felicidade, nos anos 90. A Globo criou o Papa-Tudo, apelou até pra Xuxa pra para ganhar mais popularidade e derrubar o então incômodo Silvio Santos e seu Baú. Foi outro tiro na água de Roberto Marinho. A Tele-Sena continua aí, firme e forte até hoje, e o Papa-Tudo  acabou de maneira vergonhosa e melancólica. (veja mais sobre esse caso Aqui)
Pois bem, chegamos em 2009 e a Record realmente tem incomodado o império da Globo em alguns horários. Parte significativa do elenco da globo (comentaristas, apresentadores,atores, etc.) se mandou pro canal do bispo, em busca de melhores salários. A exclusividade de transmissões esportivas importantes como o Pan-americano de 2011 e as olimpíadas de 2012, já está nas mãos da Record, o que há alguns anos atrás era impensável para muita gente.
            Verdade que o modelo dos programas, telejornais e novelas da Record seguem o padrão da Globo, e talvez por isso, a maior fatia do público ainda se mantenha fiel ao canal 4. A Record hoje tem mais recursos financeiros, mas a Globo ainda não perdeu seu poder de persuasão junto à maioria do povo. Por esse motivo, talvez ainda leve um tempo para a Record conseguir derrubar a Globo e dominar a audiência de fato. Sabemos que dentre essas duas opções, nenhuma tem o objetivo de levar uma programação de qualidade para os brasileiros. De um lado, uma emissora que sempre foi aliada dos governos militares e faz o que quer com a opinião pública, de acordo com seus interesses. De outro, uma emissora construída às custas da fé alheia, patrocinada por um império que sabe-se lá aonde quer chegar e aonde quer nos levar.
 Sabemos que essa guerra vai muito além da questão religiosa. É uma questão pura e simplesmente financeira. Nessa história não tem santo. Nos resta é assistir de nossos sofás, e esperar quem vai sair mais ferido, na briga do sujo contra o esfarrapado, que parece estar apenas começando.

Os pilares da democracia

Essa notícia foi passada pelo nosso amigo Bruno Dias

Comissão do MEC quer desmembrar Jornalismo do departamento de Comunicação Social

Redação Portal IMPRENSA

O curso de Jornalismo pode se desmembrar da área de Comunicação Social e se tornar uma graduação autônoma. A medida é pauta de sugestão do Ministério da Educação (MEC) ao Conselho Nacional de Educação. Caso o desmembramento seja aprovado, a graduação em Jornalismo se unirá a Cinema e Audiovisual, cursos que recentemente se desvincularam da área de Comunicação Social.

A discussão sobre o tema, iniciada em fevereiro deste ano, deve ter um parecer até um fim de 2009. De acordo com o chefe do departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Paraná (UFPR), João Somma, o desmembramento do curso se deve à posição do Ministério, que classificou o Jornalismo como uma das quatro posições fundamentais para a democracia do país, ao lado de Pedagocia, Direito e Medicina.
O professor acrescenta ainda que a discussão sobre o desmembramento do curso é anterior ao embate em torno da exigência do diploma. A informação é da Rádio CBN Curitiba.Alguém (não) entende??Num dia o MEC considera o curso como um dos 4 fundamentais para a democracia do país, no outro o STJ desqualifica o diploma...


Engraçado esse texto.

Nos coloca como um dos pilares da democracia, ao lado de Pedagocia, Direito e Medicina e nos tiram o diploma. Mas qual é mesmo a importância do diploma?! Vou deixar nossos amigos uffenses falarem sobre ele.


Você não vale nada, mas eu gosto de você

Outra coisa importante de se notar é que as profissões que, teoricamente, são as mais importantes para a democracia são as mais desvalorizadas no nosso Brasil varonil. O jornalista recebe um salário que é uma piada como nós pudemos perceber ao longo desses 2 anos de faculdade. O pedagogo, junto com o professor, tem salário de miséria e tem que se virar em, no mínimo, 2 empregos para sobreviver. Do médico, exigem dedicação exclusiva, mas não pagam um salário descente (em hospitais públicos então...) e lá vai ele procurar outro emprego.Lembrando que ele é um ser humano que cuida de outros seres humanos e, para isso, tem que estar descansado, o que se torna impossível para alguém que acumula funções. O advogado de repente consegue se safar desse quadro dependendo da quantidade de clientes que tenha e da área de especialização, mas a concorrência é tanta que ele acaba se juntando aos miseráveis desse grupo.

Passeata Contra a Queda do Diploma



Queridos amigos,
comunico que haverá uma passeata contra a queda do diploma de jornalismo.
Façam jus a sua revolta e vamos nos unir a outros que também pensam que essa decisão é absurda.
Será na frente da ABI - Rua Araújo Porto Alegre, 71 -, no Centro do Rio de Janeiro.
Dia 22/junho, às 10 horas.

Que a indignação passe dos websites e blogs e vá pras ruas.
Mas nada de quebrar tudo, hein, gente...

Até lá!


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Enquanto isso, peço que acompanhem no observatório da Imprensa uma série de artigos entitulados "Diploma desnecessário"


O primeiro é o de Luiz Antônio Magalhães, "Uma Vitória da Lógica e da Verdade".

E o diploma caiu

Pois é. O que muitos temiam(outros queriam) aconteceu. O golpe derradeiro foi dado hoje pelo STF,e  foi de goleada, 8 a 1. Agora, o que parece mais grave é imaginar o futuro da profissão nos próximos anos.
 Muito improvavelmente, as grandes empresas jornalísticas passarão a contratar profissionais de outras áreas, não especializados para produzir matérias.A credibilidade destes veículos ficaria em cheque. Somente este aspecto daria razão ao senhor relator do processo, Gilmar Mendes (aconselho clicar no link), e todos os outros oito ministros do STF que acompanharam a decisão.

O que parece escondido por trás de todo o discurso de liberdade de expressão, é o objetivo das grandes empresas de ter maior controle sobre seus empregados, e a possível - quase eminente-  diminuição do piso salarial, que já não é muito alto, fora os direitos trabalhistas e condições de trabalho.
O diploma continuará a garantir emprego aos mais bem qualificados, mas fatalmente a qualidade das matérias (que já nao é grande coisa) ficará comprometida a partir de agora. Não que a obrigatoriedade do diploma ffosse garantia de qualidade, longe disso. Hoje o ensino superior de jornalismo no Brasil é um desastre, com raras exceções.
As particulares se preocupam apenas em ter mais alunos e mais mensalidades a receber, de preferência em dia. Se multiplicam como lojas de Fast-Food, e acabam criando profissionais tão bons quanto um Big Mac em comparação a um almoço de domingo na casa da sua vó.
As universidades públicas também sofrem com o sucateamento e a falta de equipamentos (vivemos isso na Uff). Alunos e professores se viram pra alcançar um nível de ensino e aprendizado que seja compatível com a tradição destas instituições.
Outra situação que pode piorar com esta decisão é a quantidade de políticos , ou empresários em cidades pequenas, interessados no poder que um veículo de comunicação pode ter sobre uma população pequenaou média. Qualquer um que tiver dinheiro e recursos disponíveis pode fundar um jornal, contratar quem quiser pra escrever o que lhe for conveniente.
Agora, nem o nome desse blog significa tanto, a gente podia até chamar um pessoal da letras, enfermagem, ou engenharia, quem sabe, pra escrever um post aqui. A responsabilidade de comunicar, transmitir uma informação é muito grande, e não pode ser delegada a quem não tem formação voltada pra isso, com todos os procedimentos, tratamentos com fonte, e principalmente compromisso com a ÉTICA.
Existem maus médicos, maus advogados, maus enfermeiros, maus engenheiros. O jornalismo é uma profissão tão importante quanto essas, e merece ter o devido respeito e cuidado por ajudar a construir  e contar a história, dia a dia, a cada parágrafo.
Vamos ver no que dá

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